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Varejo online em pauta no polo moveleiro de Bento Gonçalves

O varejo online no Brasil faturou R$ 53,2 bilhões em 2018 e tem previsão de crescimento de 15% para esse ano. Com o setor moveleiro entre as cinco categorias mais com maior resultado de vendas online no país e ocupando a quarta posição em volume de pedidos, é crucial para a indústria brasileira de móveis estar preparada para as exigências dos players e consumidores. Nesta quinta-feira, dia 23, o Sindmóveis promovou com apoio do Sebrae RS o painel “A Sua Indústria no E-commerce do Brasil”, reunindo varejistas e especialistas do portal E-commerce Brasil e do Google é uma oportunidade para o polo moveleiro conhecer mais profundamente a realidade do varejo online nos dias atuais. 

O presidente do Sindmóveis, Vinicius Benini, pontua que essa foi uma demanda de aprimoramento apontada pelo próprio setor moveleiro. Ele considera essencial que as fabricantes entendam as particularidades do varejo online de móveis buscando estarem capacitadas a  essa realidade. “É uma oportunidade de acesso a conteúdos relevantes, além de estarmos colocando frente a frente a indústria moveleira e alguns dos principais varejistas online do segmento. Ou seja, é uma janela para novos negócios”, destaca.

O mediador do painel foi Caio Colagrande, editor-chefe do portal E-Commerce Brasil. Para trazerem dados de participação do segmento moveleiro em suas operações online e informações inéditas que mostram o potencial do segmento nas vendas online, foram convidados o Head of Industry para o Varejo no Google Brasil, Fabio Garcia; Eduardo Colombo, das Lojas Colombo; Bruno Benini, da Elare; Wagner Lara, do MadeiraMadeira; e Christina Leite, da Marabraz.

 

Buscas em alta

Produtos multifuncionais, com manuais de montagem detalhados e mais material visual capaz de expressar ao consumidor os diferenciais e características do produto são as demandas essenciais no momento para que a indústria moveleira amplie participação no varejo online. Entre os produtos de mobiliário, guarda-roupa, mesa, cadeira, cama, sofá e armário representam quase a totalidade das buscas no Google. Escrivaninha e outros móveis para escritório são os que mais crescem nas buscas.

O preço continua sendo o principal atributo, mas diversos outros fatores vêm ganhando relevância na decisão do consumidor online, como confiança na loja e custo/demora do frete. Ao mesmo tempo, as buscas no Google sobre compra online com retirada na loja cresceram 300% no último ano. Fabio Garcia, que lidera a parceria estratégica do Google Brasil e atendimento para alguns dos principais varejistas do país, cita que a categoria de Móveis está entre as que devem crescer acima da média no e-commerce nos próximos anos. Para o setor, o Google prevê um crescimento médio de 17% de 2017 a 2021, contra 15% das vendas em geral.

 

Montagem nas compras online

Hoje, três milhões de pessoas por mês no Brasil compram móveis e decoração, num universo de 23 e-shoppers por mês. Ao mesmo tempo, há 18 milhões de compras offline no segmento. Além do fenômeno de compra online com entrega na loja, que tem se mostrado crescente em virtude dos custos com frete, existe, ainda, a realidade de pessoas que pesquisam online e efetivam a compra na loja física. De qualquer forma, segundo Eduardo Colombo, em lojas com operações nos dois canais, é preciso evoluir a cultura da empresa de modo que o ponto de venda não enxergue mais seu próprio e-commerce como concorrente. “O varejo online é um aliado da loja física, que fomenta o fluxo dentro da loja, mesmo quando o cliente vai à loja apenas para retirar um produto. É um desafio cultural que as empresas compreendam que uma coisa depende da outra”, analisa.

O diretor comercial revelou que o e-commerce representa, hoje, 30% do faturamento das Lojas Colombo, sendo 21% a representatividade da categoria de Móveis e Decoração no faturamento do canal. Ele entende que desempenho do segmento de móveis vai ser decisivo para o sucesso das empresas de e-commerce nos próximos anos. A indústria de móveis, para Colombo, deve oferecer uma abordagem que facilite a montagem pelo cliente em casa. “Onde a Colombo tem lojas físicas, ela oferece a montagem com sua equipe, mas, onde não há lojas, a decisão de contratar montador ou fazer sozinho fica por conta do cliente. É aí que temos a maior incidência de logística reversa”, conta o empresário.

 

Manuais e informações detalhas ao consumidor

Bruno Benini, da Elare, comenta a necessidade de adequação da indústria para esse modelo de compra que envolve a montagem pelo consumidor. Com uma operação de cinco anos exclusivamente no segmento de móveis – além de um pequeno percentual de complementos à venda no site – e modelo de negócios 100% online, ele pontua como oportunidades para o setor o desenvolvimento de produtos com design exclusivo e atraente, mas que possam ser usados em diferentes ambientes. Além disso, é preciso atentar para a facilidade de montagem, manuais de fácil entendimento e imagens detalhadas dos produtos com o máximo de informações para consumidor. “É preciso oferecer segurança para o consumidor em relação a sua escolha, já que ele vai comprar sem tocar no produto ou testá-lo. Claro que, para isso, a indústria precisa fornecer as informações completas e imagens variadas adequadas”, indica.

 

Imagens variadas com simulações do uso

Um dado interessante trazido pela Marabraz é que, nos canais online, a grande maioria dos clientes clica nos manuais para consulta antes de fechar uma compra no segmento de móveis e, segundo Chrtistina Leite, os manuais são muito complexos. Ela percebe a necessidade de informações mais completas e imagens de qualidade e humanizadas em relação a tamanho, profundidade, espessura da matéria-prima e montagem. Segundo ela, as imagens da peça são decisivas na efetivação da compra e, nos próximos anos, a busca por produtos multifuncionais vai ter destaque tanto nos canais próprios quanto no markplace. “As pessoas estão procurando produtos que possam ser utilizados em outros cômodos e que tenham customização no espaço – por exemplo, um espelho com porta que acomode dentro uma tábua de passar”, exemplifica.

 

Marketplaces

Marketplaces, a propósito, foram pontuados por todos os painelistas como um dos maiores responsáveis pelo bom momento do comércio eletrônico brasileiro. Esse modelo, que reúne diferentes lojas num mesmo ambiente virtual, é importante para empresas que não podem arcar com site próprio para o e-commerce e muitos funcionários na operação. Segundo artigo do portal E-commerce Brasil, o volume de vendedores atuando em marketplaces no Brasil cresceu 90,7% no ano passado.

Wagner de Lara, da loja MadeiraMadeira,  considera inevitável, mas extremamente delicada a escolha de marketplaces para colocação das marcas. “A escolha tem que ser cuidadosa por partes das marcas e eu considero que é preciso ter, dentro da estrutura da empresa, um especialista para cada canal em que se vá atuar. Por exemplo: uma pessoa que cuide especialmente da loja online própria; uma que se dedique ao marketplace, pois são estratégias totalmente diferentes”, considera. Em relação aos produtos moveleiros mais procurados para os próximos anos, ele define que são peças versáteis. “A gente sabe que é cada vez mais difícil operar em causa, então, como e-commerce, vamos trabalhar com menos produtos, mas mais versáteis e multifuncionais. Essa é uma boa oportunidade para a indústria moveleira. Esses menos produtos têm que ser muito assertivos e compactos”, conclui.

 

Programa de Presença Digital

O painel “A Sua Indústria no E-commerce do Brasil” foi a primeira ação do Programa de Desenvolvimento para Presença Digital que o Sindmóveis Bento Gonçalves está oferecendo a empresas associadas em parceria com o Sebrae. Esse programa vai ter duração de seis meses, incluindo palestras e oficinas sobre marketing digital; palestra sobre aspectos práticos e legais do comércio eletrônico; assessoria individual e consultoria em marketing digital. Ao todo, são previstas 30 horas de capacitações e 18 horas de consultorias por empresa participante. Ainda há vagas e as empresas interessadas devem contatar diretamente o Sindmóveis.