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O que a Movelsul 2026 deve revelar sobre o novo consumo da casa

Quem visita uma feira de móveis em Bento Gonçalves costuma esperar sofás, dormitórios e salas de jantar. Mas este ano, a Movelsul Brasil 2026, marcada para 17 a 20 de agosto, deve expor uma mudança mais profunda no comportamento de consumo: a casa passou a ser tratada como um espaço de recuperação física e emocional, e não apenas de convivência.

Esse movimento tem alterado decisões dentro das fábricas. Em vez de apostar exclusivamente em design e volume de produção, parte da indústria moveleira vem direcionando investimentos para produtos associados ao conceito de wellness, tendência global que conecta conforto, saúde preventiva e qualidade de vida. O reflexo aparece em itens que incorporam tecnologias têxteis, materiais mais sofisticados e processos de fabricação menos automatizados.

No segmento de colchões, a busca por diferenciação tem levado fabricantes a recuperar técnicas tradicionalmente ligadas à produção artesanal. Sistemas como o Tufting, utilizado para fixar manualmente as camadas internas do colchão, voltam a ganhar espaço em modelos de alto padrão por contribuírem para maior estabilidade estrutural e durabilidade. O acabamento Hand Crafted, também presente em lançamentos da feira, reforça essa aproximação entre indústria e trabalho manual especializado.

Outro sinal dessa transformação é a incorporação de recursos vindos da indústria têxtil voltada ao bem-estar. Tecidos com tratamento à base de Aloe Vera, por exemplo, utilizam microcápsulas aplicadas ao revestimento que são liberadas gradualmente com o uso, oferecendo toque mais agradável e preservando características do acabamento ao longo do tempo.

Para Hélio Silva, CEO da Colchões Castor, a evolução do setor acompanha um consumidor mais atento à composição dos produtos e às tecnologias empregadas em sua fabricação. “O desenvolvimento de colchões com tecidos tratados com Aloe Vera e processos manuais de fabricação mostra como o mercado passou a incorporar soluções associadas ao wellness. O consumidor observa cada vez mais os materiais utilizados, a estabilidade do produto e as tecnologias presentes em cada modelo”, afirma.

A mudança observada na indústria brasileira acompanha um fenômeno internacional. Dados do Global Wellness Institute indicam que o mercado global de wellness movimenta atualmente cerca de US$ 5,6 trilhões por ano, com projeção de alcançar aproximadamente US$ 9 trilhões até 2028, impulsionado pela demanda por produtos relacionados à saúde preventiva, conforto e qualidade de vida.

Os indicadores nacionais também apontam um cenário de recuperação da atividade industrial. Segundo a Conjuntura de Móveis, estudo elaborado pelo IEMI para a Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário, a produção brasileira de móveis e colchões atingiu 37,6 milhões de peças em março de 2026, crescimento de 16,1% em relação ao mês anterior.

A Movelsul Brasil tende a funcionar menos como uma vitrine de lançamentos isolados e mais como um retrato das transformações em curso no setor. O protagonismo crescente de soluções ligadas ao bem-estar, à experiência sensorial e ao acabamento artesanal sugere que a próxima disputa da indústria moveleira será por espaço na sua rotina de cuidado e qualidade de vida.

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