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  • 31 Mar 2017
    Oito mercados em foco para as exportações brasileiras de móveis

A China é líder absoluta no mercado mundial de móveis. Para o consultor em Inteligência Competitiva e Doutor em Economia Marcos Lélis, é impossível competir com um mercado que detém 41% da fatia das exportações nesse segmento e vem crescendo, em média, 12% ao ano desde 2009.

Como se não bastasse, a China vem se posicionando muito mais agressivamente como exportador de móveis do que em outros setores e posicionando também o Vietnã nesse mercado, com empresas chinesas migrando sua produção para esse e outros países satélites da Ásia para superar barreiras tarifárias.

O Brasil, por sua vez, convive com a derrubada em sua produção de móveis. Lélis, em palestra para moveleiros durante a Fimma Brasil, pontua uma queda de 20% na produção em janeiro de 2016 em relação ao mesmo período do ano anterior. Ao mesmo tempo em que enfrenta dificuldades no mercado interno pela queda de consumo, a indústria nacional de móveis exporta apenas 4% de sua produção. “É o quinto maior fabricante mundial de móveis, mas apenas ocupa a 28ª posição como exportador”, qualifica.

Aos poucos, a queda vem sendo freada, com um panorama de estabilização nas vendas internas. Certeza de crescimento no consumo e produção, entretanto, somente em meados 2019. A alternativa pontuada pelo especialista, já que a concorrência com a China é inviável, é que a indústria moveleira do Brasil se comporte como outro país em ascensão nesse mercado: a Turquia, que se aproveita de sua proximidade geográfica com países da Europa e África para alavancar as exportações.

Lélis alerta para os países próximos do Brasil que permanecem aumentando suas importações. Para ele, empresas com maior capacidade podem pensar numa estratégia para o mercado dos EUA, que demanda quantidades enormes e também produtos diferenciados pelo design. “As demais podem mirar fortemente em mercados vizinhos, pensando não apenas na manufatura, mas no serviço, pois o chinês não sabe fazer isso – saindo da competição forte por preço”.  

As exportações do polo moveleiro de Bento Gonçalves, por exemplo, tiveram queda de 2,2% em 2016, prejudicados especialmente pelo desempenho negativo nos mercados latino americanos como Peru, Chile, Paraguai, Equador, Venezuela e Cuba, além de Angola, Moçambique, Reino Unido e Emirados Árabes Unidos. O desempenho das empresas locais foi bastante positivo no México, Estados Unidos, Uruguai e África do Sul.

Em 2017, nos dois primeiros meses do ano, as exportações estão mostrando uma reação importante. Em dólares, o crescimento é de 8,5% em relação a 2016. Cabe destacar desempenhos surpreendentes no Uruguai, Argentina, Paraguai, Arábia Saudita, Estados Unidos e África do Sul. Além da alta competição internacional, as empresas de Bento Gonçalves são prejudicadas por barreiras de comércio especialmente em mercados como Venezuela, Bolívia e Equador.

 

### Oito oportunidades no mercado externo ###

 

Chile: quem está conseguindo posicionar bem é o fabricante com valor agregado mais alto, pois o país está voltado para o Pacífico e a entrada do móvel popular chinês tem muita facilidade.

 

Colômbia: único mercado que compra mais móveis de metal do que madeira do Brasil.

 

Emirados Árabes: É um mercado ainda pouquíssimo explorado pelo Brasil e que, embora pequeno, demanda importações em todos os setores – inclusive o moveleiro.

 

Estados Unidos: É um mercado enorme, mas difícil de posicionar. Exige planificação e posicionamento a longo prazo.

 

México: Na America latina, é mercado onde o Brasil tem mais dificuldade. Além do que, o país não tem previsão de crescimento de seu PIB até 2018.

 

Panamá: É um dos mercados em que o Brasil vem recuperando espaço e que merece um olhar mais atento das empresas brasileiras exportadoras de móveis.

 

Peru: É considerado o melhor mercado para os móveis brasileiros nos próximos anos. Deve crescer 4,8% por ano até 2018.

 

Reino Unido: Um mercado ao qual poucas empresas brasileiras têm acesso. As exportações para esse destino estão concentradas em, no máximo, cinco fabricantes de móveis nacionais. Oportunidades existem nesse contexto.